Acessibilidade em discussão
Olás!
Estou postando aqui um texto para discutirmos o tema acessibilidade. O texto trata da questão da inclusão de pessoas com NEE (Necessidades Educacionais Especiais) em espaços de educação formal. O texto que selecionei, que trata das duas principais correntes teóricas sobre a inclusão de pessoas com deficiência – os que defendem a inclusão moderada e os que são favoráveis a uma inclusão total. Acho que a partir dele, podemos pensar e discutir sobre a inclusão de públicos especiais em espaços de educação não-formal, especificamente, em museus.
“… Os inclusionistas defendem uma mudança mais moderada no ensino para a implantação da ‘escola para todos’, alegando que essa mudança deva preservar, sobretudo o seu caráter responsável, pois cada aluno com NEE é um ser único, com suas diferenças, potencialidades, graus de comprometimento e necessidades.
(…)
A corrente denominada inclusão total pretende tratar a todos como iguais, sem a utilização de recursos, técnicas e apoios que garantam a possibilidade dos alunos com dificuldades de não serem abandonados em favor de uma forma padronizada no meio educativo. Confiar que um espaço escolar não diferenciado possa ser capaz de acomodar toda a diversidade humana e ser capaz de explicitar a reestruturação necessária que promova a aprendizagem de todos, pode ser por demais ingênuo e tempestuoso. A maioria dos autores parece concordar que quanto maior a diferença, maior a probabilidade do aluno com NEE necessitar de apoios oferecidos pelos diferentes serviços com a finalidade de não serem deixados pra trás e fadados ao insucesso escolar. Assim, podemos dizer que qualquer aluno com NEE tem o direito de receber os atendimentos que lhe forem necessários para que possa desfrutar da igualdade de oportunidades diante do saber, preconizada tanto pela inclusão como pela inclusão total” (grifos meus)
MATTOS, Edna Antonia de (autora principal), extraído do artigo “Educação inclusiva: Reflexões sobre inclusão e inclusão total”. São Paulo: FE-USP, 2004)
Inclusão NÃO trata apenas de colocar uma criança deficiente em uma sala de aula ou em uma escola. Esta é apenas a menor peça do quebra-cabeça. Inclusão trata, sim, de como nós lidamos com diversidade, como lidamos com a diferença, como lidamos (ou como evitamos lidar) com a nossa moralidade. Inclusão não quer absolutamente dizer que somos todos iguais. Inclusão celebra, sim, nossa diversidade e diferenças com respeito e gratidão. Quanto maior a nossa diversidade, mais rica a nossa capacidade de criar mais formas de ver o mundo. Inclusão é reconstruir nossos corações e nos dar as ferramentas que permitam a sobrevivência da humanidade como uma família global.
Bem, trazendo para o campo dos Museus. A inclusão de pessoas com necessidades especiais continua sendo uma questão bem complexas, pois exige equipes capacitadas para atender aos diferenciados grupos com NEE, recursos fisicos, no caso dos Museus da Fundação estão com uma estrutura inicial equivalentes, mas tanto para capacitar os funcionários como adquirir equipamentos necessitamos de recursos financeiros ou parceiros da área da NEE para fomentar propostas concretas. Todavia, as muitas tentativas que fizemos, especialmente em Itu, a proposta de parceria foi sempre colocada de lado pelas instituições ligadas a NEE, pois estas querem também ganhar financeiramente, o que é correto, mas que torna quase que impossivel democratizar ainda mais o espaço museológico. Logo, espero que possamos no futuro proximo capacitar nossos educadores, reelaborar nossas exposições, equipar ainda mais nossos espaços museologicos par atender aos diversificados públicos com NEE, pois queremos muito que o MUSEU seja de todos, para todos e com todos. Precisamos urgetemente de parceiros que tenham o mesmo desejo!!!
Marcos de Itu
Especificamente sobre o texto, acredito que incluir pessoas não é apenas coloca-las nas escolas e pronto, pois sabemos como é o processo educativo neste país, mas dotar arquitetonicamente a escola, o professor, os técnicos da escola com um “padrão de qualidade” para estabelecer um trabalho inclusivo respeitando as potencialidades e limitações dos educandos. O que não ocorre com os educando que não tem, aparentemente, NEE, agora pense os que necessitam de um maior aparato. Logo, inclusão não é um passe de mágica, requer responsabilidade das instituições e pessoas que desejam trabalhar com os diversos tipos de pessoas com NEE. Será que quando um monte de crianças com NEE passar a frequentar as escolas públicas que temos, nas periferias, onde nem os professores querem ir, estamos fortalecendo que tipo de processos educativo? Será que estamos apenas classificando o Educando como um “numero”, ou será que estamos respeitando no educando sua “essência”?